Trabalhei algumas semanas na organização de um evento de segurança do trabalho, com profissionais qualificados na plateia e palestrante internacional. Poucos minutos antes de começar, já com a sala cheia, reparei na síndrome de colégio que as pessoas carregam pela vida inteira. Cada mesa do evento tinha três lugares, lado a lado, e nós dispusemos os materiais em quase todas, deixando as últimas para nossa equipe. O público foi chegando e escolhendo os lugares: primeiro os do fundo, nas laterais - o mais longe possível do palestrante. Quase todos os lugares estavam ocupados, exceto os mais próximos. Um retardatário chegou, olhou os lugares disponíveis, pensou um pouco, girou nos calcanhares e saiu, ficou se enrolando até o início do evento. Aí sim desistiu e sentou na primeira fila.
Uma sala de eventos em um hotel de alto-padrão cheia de adultos que foram ouvir algo de seu interesse, eles mesmos se inscreveram e ainda assim os meninos não superam o hábito de evitar o "professor". Ainda tem mais: as mulheres, apenar três, sentaram juntas. Não se conheciam, nunca se viram na vida, mas automaticamente se sentaram lado a lado, nos locais mais próximos do palestrante.
Dá para fazer um verdadeiro livro sobre comportamento social com essas informações. Por razões incompreensíveis, as pessoas se esquivam de quem tem algo a ensinar, mesmo que seja do próprio interesse aprender. Um medo bizarro de falar em público e, quando falam, geralmente se fazem ouvir somente até a segunda fila, às vezes o palestrante quem que pedir para repetir! Sempre me pergunto: qual será o trauma que as pessoas carregam para nunca estarem interessadas em levantar a mão e fazer uma pergunta, contar uma história ou fazer um comentário sobre o assunto? Só pode ser síndrome de colégio...
11.11.09
7.11.09
Multidisciplinar e multifuncional
Virou moda há alguns anos esse papo de multi. As empresas querem profissionais que desempenhem diversas funções - afinal porque contratar duas pessoas capacitadas para trabalhar com qualidade excepcional se você pode contratar uma pessoa que se vire bem em várias áreas e viva sobrecarregado? No meio acadêmico não é muito diferente: quer ver um professor feliz, é só mencionar o termo multidisciplinar. A questão é que para saber um pouco de cada coisa, abrimos mão de dominar certo assunto ou ferramente e várias profissões acabam descaracterizadas, principalmente as mais novas.
Junte um analista de sistemas com um desenvolvedor de software, mais um programador web e pergunte quantas vezes eles tiveram que arrumar o dvd e o relógio do microondas, só porque mexem com o computador. O mesmo acontece com os profissionais da minha área, ninguém faz a menor ideia qual é a diferença entre o profissional de marketing, o publicitário e o designer.
O cara do marketing tem suas limitações, não é um profissional de execução: não cria logomarca, comercial de tv nem faz banner em flash pra site. Ou pelo menos não deveria, não tem base pra isso. Publicitários também não tem que se meter a desenhar embalagem. E os designers não entendem de planejamento de marketing ou de redação publicitária. Goste ou não, designer é desenhista e fim de papo.
Aí me vem a revista técnica mencionar o quanto desgners são especialistas em criar experiências de consumo. Uau, peraí, ação de marketing agora é especialidade de designer? Planejamento e execução? Em uma frase, conseguiram desrespeitar especialistas em marketing, publicidade e relações públicas - deve ser algum tipo de recorde! Na prática, esse tipo de lógica só complica a vida dos profissionais. Talvez fosse melhor cada macaco no seu galho, ninguém brigaria por causa de banana...
p.s.: segunda matéria lida na abcDesign, segundo post. Até acabar de ler, acho que vou redigir um manifesto!
Junte um analista de sistemas com um desenvolvedor de software, mais um programador web e pergunte quantas vezes eles tiveram que arrumar o dvd e o relógio do microondas, só porque mexem com o computador. O mesmo acontece com os profissionais da minha área, ninguém faz a menor ideia qual é a diferença entre o profissional de marketing, o publicitário e o designer.
O cara do marketing tem suas limitações, não é um profissional de execução: não cria logomarca, comercial de tv nem faz banner em flash pra site. Ou pelo menos não deveria, não tem base pra isso. Publicitários também não tem que se meter a desenhar embalagem. E os designers não entendem de planejamento de marketing ou de redação publicitária. Goste ou não, designer é desenhista e fim de papo.
Aí me vem a revista técnica mencionar o quanto desgners são especialistas em criar experiências de consumo. Uau, peraí, ação de marketing agora é especialidade de designer? Planejamento e execução? Em uma frase, conseguiram desrespeitar especialistas em marketing, publicidade e relações públicas - deve ser algum tipo de recorde! Na prática, esse tipo de lógica só complica a vida dos profissionais. Talvez fosse melhor cada macaco no seu galho, ninguém brigaria por causa de banana...
p.s.: segunda matéria lida na abcDesign, segundo post. Até acabar de ler, acho que vou redigir um manifesto!
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5.11.09
Abelhas operárias do Design
Estava lendo uma entrevista do Steven Heller na abcDesign quando uma frase me fisgou. Respondendo uma pergunta sobre as escolas americanas de design, ele disse que a maioria ainda está engajada em produzir uma abelha operária que funcione. Fiquei com os dedos coçando pra escrever na hora. Consigo ver várias formas de entender essa frase, bora passear por dentro da metáfora do homem.
A abelha operária domina seu trabalho: conhece as ferramentas, a metodologia, os resultados esperados e cumpre tudo rigorosamente. Se aumentar a demanda, a abelhinha faz um monte de hora extra (se quiser testas, aproveita o calor e deixa um picolé de uva em cima da mesa pra você ver) e nem reclama por salário maior ou banco de horas. Uma abelha operária é, do ponto de vista corporativo, a funcionária perfeita. Por outro lado, uma abelha operária não inventa nada realmente novo, não otimiza seu trabalho, não pensa em soluções maiores que facilitariam o trabalho de todos, simplesmente não pensa. E assim se caracteriza o comportamento medíocre do profissional, que jamais será grande nem sequer fará a empresa maior, mas atende as necessidades corporativas.
A questão é que hoje em dia quase ninguém tem espírito empreendedor. Não se faz mais faculdade para abrir um negócio, se faz para conseguir um bom emprego, pagar as contas e passar os próximos vinte anos trabalhando para os outros, para aí quem sabe começar a pensar em algo seu. Eu não creio que alguma abelha operária vá reinventar a caixa do Lucky Strike, por mais que seja capaz - com todo respeito ao Raymond Loewy. E depois desse raciocínio todo, eu me pergunto se a frase do Steven Heller foi um elogio ou uma crítica. Não consegui decidir.
Em tempo: não tenho nada contra abelhas operárias, eu mesma sou uma abelha feliz. Acho que empreender um negócio próprio é coisa de quem tem perfil e vontade. Começar uma empresa na garagem é assunto extremamente pessoal, não é uma formação acadêmica que vai ensinar isso.
A abelha operária domina seu trabalho: conhece as ferramentas, a metodologia, os resultados esperados e cumpre tudo rigorosamente. Se aumentar a demanda, a abelhinha faz um monte de hora extra (se quiser testas, aproveita o calor e deixa um picolé de uva em cima da mesa pra você ver) e nem reclama por salário maior ou banco de horas. Uma abelha operária é, do ponto de vista corporativo, a funcionária perfeita. Por outro lado, uma abelha operária não inventa nada realmente novo, não otimiza seu trabalho, não pensa em soluções maiores que facilitariam o trabalho de todos, simplesmente não pensa. E assim se caracteriza o comportamento medíocre do profissional, que jamais será grande nem sequer fará a empresa maior, mas atende as necessidades corporativas.
A questão é que hoje em dia quase ninguém tem espírito empreendedor. Não se faz mais faculdade para abrir um negócio, se faz para conseguir um bom emprego, pagar as contas e passar os próximos vinte anos trabalhando para os outros, para aí quem sabe começar a pensar em algo seu. Eu não creio que alguma abelha operária vá reinventar a caixa do Lucky Strike, por mais que seja capaz - com todo respeito ao Raymond Loewy. E depois desse raciocínio todo, eu me pergunto se a frase do Steven Heller foi um elogio ou uma crítica. Não consegui decidir.
Em tempo: não tenho nada contra abelhas operárias, eu mesma sou uma abelha feliz. Acho que empreender um negócio próprio é coisa de quem tem perfil e vontade. Começar uma empresa na garagem é assunto extremamente pessoal, não é uma formação acadêmica que vai ensinar isso.
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4.11.09
O blog pode ou não pode?
Estava em uma entrevista ontem, justamente para trabalhar com mídias sociais e é óbvio que pediram o link do blog. A pergunta sobre conteúdo desta casa que tanto amo me balançou. A verdade é que eu não sei definir a que este blog se propõe, nunca olhei para ele como um negócio. Quem sabe um dia possa ser, mas nunca foi esse o foco.
Fiz um blog porque me é inerente opinar sobre tudo que eu vejo, seja assunto relevante ou não. O blog foi crescendo e criando uma identidade textual totalmente natural, não modelei nada. Nos enormes arquivos construídos ao longo de sete anos, há muitas histórias contadas. Algumas ideias antigas agora me parecem tão tolas e tantas outras deveriam ter ficado na gaveta.
Isso não tinha me ocorrido - o impacto de fornecer o link - mas o fato é que não tenho coragem nem razões para apagar algo que escrevi. Esses sete anos são parte importante do que eu vivi, não dá pra fingir que não aconteceu, passar uma borracha. Se posso dizer que conheço as mídias sociais, não é só porque eu leio blogs. É porque eu existo na web.
Só que ao chegar em casa eu me perguntei: blog pode ou não pode fazer parte? Não tenho razões para mentir em um processo seletivo, não tenho razões para mentir at all. Mesmo assim é meio inevitável perguntar mentalmente se um entrevistador quer a verdade inteira ou se meia hipocrisia lhe basta...
Fiz um blog porque me é inerente opinar sobre tudo que eu vejo, seja assunto relevante ou não. O blog foi crescendo e criando uma identidade textual totalmente natural, não modelei nada. Nos enormes arquivos construídos ao longo de sete anos, há muitas histórias contadas. Algumas ideias antigas agora me parecem tão tolas e tantas outras deveriam ter ficado na gaveta.
Isso não tinha me ocorrido - o impacto de fornecer o link - mas o fato é que não tenho coragem nem razões para apagar algo que escrevi. Esses sete anos são parte importante do que eu vivi, não dá pra fingir que não aconteceu, passar uma borracha. Se posso dizer que conheço as mídias sociais, não é só porque eu leio blogs. É porque eu existo na web.
Só que ao chegar em casa eu me perguntei: blog pode ou não pode fazer parte? Não tenho razões para mentir em um processo seletivo, não tenho razões para mentir at all. Mesmo assim é meio inevitável perguntar mentalmente se um entrevistador quer a verdade inteira ou se meia hipocrisia lhe basta...
2.11.09
Cada coisa no seu lugar
Estava andando por aí de blog em blog, saltitando entre links enviados via twitter e esbarrei em algum artigo desses papos de dinossauro (como eu) e suas análises de internet. Pelo meio de tudo, o post falava de como o pessoal que entrou há muito tempo na internet fica indignado com os novos desinformados na web.
Aí caiu a ficha: eu sou meio 1.0 e por isso reluto em aderir a certas tecnologias, porque muita coisa semi-pronta pra mim fica com gosto de comida de microondas: eu até encaro, mas não gosto não.
Mais do que isso: acho que a internet devia ter degrau de evolução, algum mecanismo que separasse os novatos dos veteranos e deixasse os novatos usando a internet 1.0 até que aprendam, entendam, façam uma prova e aí sim possam utilizar os recursos da web 2.0.
Pronto, meu projeto revolucionário vai fazer milagres culturais. E o melhor: ninguém se estressa com ninguém. Bora segmentar a internet, pronto. Não é novidade nenhuma um mundo divididos em castas. A web também merece isso. Pelo menos, os usuários merecem...
Aí caiu a ficha: eu sou meio 1.0 e por isso reluto em aderir a certas tecnologias, porque muita coisa semi-pronta pra mim fica com gosto de comida de microondas: eu até encaro, mas não gosto não.
Mais do que isso: acho que a internet devia ter degrau de evolução, algum mecanismo que separasse os novatos dos veteranos e deixasse os novatos usando a internet 1.0 até que aprendam, entendam, façam uma prova e aí sim possam utilizar os recursos da web 2.0.
Pronto, meu projeto revolucionário vai fazer milagres culturais. E o melhor: ninguém se estressa com ninguém. Bora segmentar a internet, pronto. Não é novidade nenhuma um mundo divididos em castas. A web também merece isso. Pelo menos, os usuários merecem...
29.10.09
Um olhar sobre o twitter
Um grande amigo passou seis meses papagaiando que eu deveria entrar no twitter, que é a minha cara, que minhas piadas ácidas do cotidiano cabem muito bem ali e coisas do gênero. De fato, o argumento que me convenceu foi simples: "cria sua conta no twitter pelo menos para garantir o login". Não creio em outra Lomyne, mas bateu aquele panicozinho básico.
Escolhi o primeiro lote de pessoas a seguir entre blogueiros queleio tento ler e respeito, mesmo que não costume comentar nestes blogs. Adicionei os três mil convites que já tinha e o resto eu fui catando em citações via twitter. Leio muita gente de quem sou totalmente distante, popstars que ignoram minha existência e ainda assim muito me divertem. Gente como o Cardoso, a Poalli e o Jovemnerd, são celebridades da web e eu caí mais ainda de amores por eles. O restante eu fui adicionando por recomendações dos primeiros. Assim eu fui me enredando até chegar às conclusões que seguem:
Apesar de tudo isso, o twitter é um prazer. Adiciono e removo pessoas com grande facilidade, risadinhas me escapam do canto da boca no meio da tarde, mas a melhor parte é que não me sinto mais tão desinformada. Os segundinhos que dedico ao twitter me colocaram de novo na rota das notícias, dos links úteis e das informações mais inúteis. E assim vamos, enquanto eu tiver tempo e paciência.
Escolhi o primeiro lote de pessoas a seguir entre blogueiros que
1. Tem pessoas no twitter que eu considero offline. Veja, se você entra na internet pra usar orkut e msn, você não está online, ainda mais se você usa só para falar com as pessoas que você tem o telefone, o endereço e ainda mora na mesma cidade. Alo-ou você não tá produzindo bosta nenhuma! Acho que podemos separar twitteiros em ativos e passivos - eu ignoro os passivos.Aí você soma tudo isso e percebe que a maioria ali não entende ironia, não aceita humor negro e não sabe usar vírgula nem crase. De fato, o único defeito que eu acho no twitter é uma galera discutindo política. Sério, é impossível discutir política em 140 caracteres! Assim surgiu minha frase supra-sumo de twitter: politica no twitter faz tanto sentido quanto um gato rosa andando de patinete chupando sorvete de caqui. E por isso eu ignoro a maioria desses tweets.
2. Antes de entrar, eu via o passarinho como um msn em atacado, agora eu vejo mais como um mix de orkut e blog, onde você tem um espaço menor pra escrever e chances maiores de encontrar imbecis. Em algum link que eu peguei no twitter - e perdi no limbo - alguém disse coisas muito certas: primeiro, que o twitter não vai substituir o blog, porque são coisas diferentes e podem ser simultâneas; segundo, que o twitter é o reflexo da internet e da sociedade brasileira: uma massa de incultos usando o meio como quer, escrevendo errado, sendo fútil e/ou desinformado. Fato, o Brasil é assim, o uso da internet no Brasil é assim, a blogosfera é assim, o twitter só podia ser assim.
3. Uma coisa que me surpreende no twitter é a polícia. Porra, tem mais polícia no twitter do que mulher no orkut. Polícia ortográfica, polícia moral, polícia política, polícia midiática. E mesmo sem levantar a bunda da frente do computador pra fazer treinamento do BOPE, nêgo se acha membro da Tropa de Elite. Confesso que muitas vezes me divirto com estes policiais se contradizendo e cometendo os erros que tanto criticam.
4. Existe uma intolerância latente também. Todo mundo com pressa e aí se originam confusões, buxixos e reações exageradas, quase sempre por falha do leitor na interpretação do texto. Juízes de dedo em riste que perdem a noção, batem forte demais e o que poderia ser um debate interessante vira um bate-boca entre um imbecil que não entendeu e um autor sem paciência pra explicar.
Apesar de tudo isso, o twitter é um prazer. Adiciono e removo pessoas com grande facilidade, risadinhas me escapam do canto da boca no meio da tarde, mas a melhor parte é que não me sinto mais tão desinformada. Os segundinhos que dedico ao twitter me colocaram de novo na rota das notícias, dos links úteis e das informações mais inúteis. E assim vamos, enquanto eu tiver tempo e paciência.
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28.10.09
Momento Diarinho XVI - Noite de encantar alma
Já faz cinco anos que eu decidi que não tenho mais saco pra ir a um show; aquele bando de gente se amontoando, ser lavada de cerveja, gritar como uma louca, pular mais ainda, ir embora afônica e suada. E tudo ia bem nesse sentido. Mas há um ano atrás, um amigo tocou em um barzinho algo que eu nunca tinha ouvido. Interrompi a conversa e de boca aberta escutei Eu não toco Raul. Dia seguinte, corri pro Youtube e ouvi tudo que encontrei da banda. Não demorou mais do que algumas horas para perceber que eu estava apaixonada. Vi e ouvi tudo que encontrei: gravações caseiras, entrevistas em programas desconhecidos, tudo. Desde então, passei a monitorar o site da banda. Um ano de espera ansiosa.
Há algumas semanas, bingo! A confirmação: Pedra Letícia vindo para Curitiba, não só para fazer um show e sim a gravação do DVD. Pronto, começou minha síndrome de adolescente. Voltei a ter 17 anos, escolhi cada detalhe, enchi o saco de Deus e o mundo para ir comigo, dei gritinho histérico, contei pra empresa inteira que estava indo no show. Cortesia do meu chefe, consegui encontrar os caras na hora do almoço e tirar uma foto (a mais tiete esperando no restaurante). Saí do trabalho contando as horas para o show, um misto de ansiedade e alegria meio ridículas a esta altura da vida. Who cares?
Chegamos lá no Master Hall, casa cheia de adolescentes e eu quis mesmo chegar na cara do palco, me amontoar, ser lavada de cerveja, gritar como uma louca, pular mais ainda, ir embora afônica e suada. Uma amiga se encarregou de filmar algumas coisas pr'eu poder me divertir e isso resultou em um caos que não gravou nenhuma música inteira pra colocar no Youtube, mas eu fiquei com arquivos ótimos para guardar. O tanto que me diverti foi memorável, acho que minha última noite assim tinha sido o encerramento do Rock in Rio, em 2001.
Eu vi esses caras emocionados, uma banda que estourou mas mantém a simplicidade de quem até bem pouco tempo atrás tocava em barzinho - até parecem com uns músicos que conheço e o produtor deles é um fofo! Na plateia eu me sentindo 10 anos mais nova, me divertindo horrores. Esses meninos de Goiânia prometeram que voltam a Curitiba lançar o DVD e assim sendo, eu prometo que vou ao lançamento. Porque há quatro anos eu não tinha uma dessas noites de encantar alma, porque eu grito num bar "toca Pedra Letíciaaaaa", porque se Pedra Letícia fosse religião, eu seria profeta.
p.s.: para quem conhece e acha o humor da banda de mau gosto, recomendo terapia. O meu humor de fato é sem noção e os leitores que não sabem disso deveriam voltar às leituras obrigatórias aqui ao lado.
Há algumas semanas, bingo! A confirmação: Pedra Letícia vindo para Curitiba, não só para fazer um show e sim a gravação do DVD. Pronto, começou minha síndrome de adolescente. Voltei a ter 17 anos, escolhi cada detalhe, enchi o saco de Deus e o mundo para ir comigo, dei gritinho histérico, contei pra empresa inteira que estava indo no show. Cortesia do meu chefe, consegui encontrar os caras na hora do almoço e tirar uma foto (a mais tiete esperando no restaurante). Saí do trabalho contando as horas para o show, um misto de ansiedade e alegria meio ridículas a esta altura da vida. Who cares?
Chegamos lá no Master Hall, casa cheia de adolescentes e eu quis mesmo chegar na cara do palco, me amontoar, ser lavada de cerveja, gritar como uma louca, pular mais ainda, ir embora afônica e suada. Uma amiga se encarregou de filmar algumas coisas pr'eu poder me divertir e isso resultou em um caos que não gravou nenhuma música inteira pra colocar no Youtube, mas eu fiquei com arquivos ótimos para guardar. O tanto que me diverti foi memorável, acho que minha última noite assim tinha sido o encerramento do Rock in Rio, em 2001.
Eu vi esses caras emocionados, uma banda que estourou mas mantém a simplicidade de quem até bem pouco tempo atrás tocava em barzinho - até parecem com uns músicos que conheço e o produtor deles é um fofo! Na plateia eu me sentindo 10 anos mais nova, me divertindo horrores. Esses meninos de Goiânia prometeram que voltam a Curitiba lançar o DVD e assim sendo, eu prometo que vou ao lançamento. Porque há quatro anos eu não tinha uma dessas noites de encantar alma, porque eu grito num bar "toca Pedra Letíciaaaaa", porque se Pedra Letícia fosse religião, eu seria profeta.
p.s.: para quem conhece e acha o humor da banda de mau gosto, recomendo terapia. O meu humor de fato é sem noção e os leitores que não sabem disso deveriam voltar às leituras obrigatórias aqui ao lado.
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25.9.09
Em busca do vale encantado
Eu sou um dinossauro da web. Este blog está no ar desde fevereiro de 2003 e inclui arquivos do ano anterior. Ao longo de sete anos, vi os blogs mudarem de endereço, nome, servidor, fora uma quatidade gigante de gente que eu vi se aposentar. Perdi as contas da quantidade de "chegas" que eu li. Por isso, eu me considero considerava no direito de fazer longas, enormes dissertações sobre a blogosfera, sobre como deve(ria) ser. Como qualquer dinossauro que se preze, eu me apego ao formato mais clássico, de quando personalizar template era só pra quem manjava de html mesmo, quando precisava ter um sitezinho no hpg para fazer upload de imagem de cabeçalho; de quando não tinha essas putarias de fotolog e vídeo. Minhas maiores reclamações são porque quanto mais fácil a blogosfera foi ficando, pior ficou o conteúdo, mais chupado, mais semipronto, mais medíocre.
Mas enfim eu me dou por vencida. O que eu acho ideal, aplico aqui na minha casa, cada vez mais esporadicamente. Os outros são os outros e só, aplico estes meus critérios para escolher os blogs que leio e mais seletivamente os que linko. De fato, não tenho lido ninguém, assim como não tenho escrito, mas isso não importa. Importa sim encarar hoje o mesmo dilema da a kiriduxa (dinossauro, assim como eu) propôs recentemente: o que fazer com este blog. E as certezas que tenho são só sobre o que não fazer: eu não vou deletar esta casa, não vou mudar de formato, não vou me comprometer a escrever sempre, não vou abandonar de vez. Vai ficar assim meio de férias até que eu possa ser eu mesma. Não vou nem me desculpar, porque acho que ninguém quer ouvir desculpas.
Auto-jabá
Calma que nem tudo se perde! Por pressão de um amigo pessoal, cedi aos encantos do twitter e viciei como em todas as outras drogas que eu conheci até hoje. Devo meia paçoca para quem adivinhar o endereço! E tem mais: Charles, outro dinossauro, me convidou para escrever no etc e eu aceitei sorrindo, talvez o mais nobre convite que já recebi (mesmo ainda não tendo colocado nenhuma palavra por lá). Por fim, já estava na hora de eu mostrar na web o que quase todo mundo do cotidiano sabe: que eu adoro gays e passo muito tempo com eles. Com vocês, minhas viadagens públicas, agora nomeadas De Onde Emana a Purpurina, um blog absurdo.
Mas enfim eu me dou por vencida. O que eu acho ideal, aplico aqui na minha casa, cada vez mais esporadicamente. Os outros são os outros e só, aplico estes meus critérios para escolher os blogs que leio e mais seletivamente os que linko. De fato, não tenho lido ninguém, assim como não tenho escrito, mas isso não importa. Importa sim encarar hoje o mesmo dilema da a kiriduxa (dinossauro, assim como eu) propôs recentemente: o que fazer com este blog. E as certezas que tenho são só sobre o que não fazer: eu não vou deletar esta casa, não vou mudar de formato, não vou me comprometer a escrever sempre, não vou abandonar de vez. Vai ficar assim meio de férias até que eu possa ser eu mesma. Não vou nem me desculpar, porque acho que ninguém quer ouvir desculpas.
Auto-jabá
Calma que nem tudo se perde! Por pressão de um amigo pessoal, cedi aos encantos do twitter e viciei como em todas as outras drogas que eu conheci até hoje. Devo meia paçoca para quem adivinhar o endereço! E tem mais: Charles, outro dinossauro, me convidou para escrever no etc e eu aceitei sorrindo, talvez o mais nobre convite que já recebi (mesmo ainda não tendo colocado nenhuma palavra por lá). Por fim, já estava na hora de eu mostrar na web o que quase todo mundo do cotidiano sabe: que eu adoro gays e passo muito tempo com eles. Com vocês, minhas viadagens públicas, agora nomeadas De Onde Emana a Purpurina, um blog absurdo.
6.7.09
Humor tem limite?
Eu sou uma fã do Custe o Que Custar, divido minhas noites de segunda-feira entre meus dois queridinhos: o RodaViva e o programa da Band, mas isso não quer dizer que concorde em número, gênero e grau com tudo que é dito nos dois programas. Se por um lado às vezes me deparo com o RodaViva tratando imbecis como se fossem gente séria, muitas vezes me pergunto se é justo tratar sempre como bobos os caras do CQC.
Eu considero humor o ingrediente mais básico da vida, não consigo imaginar passar sequer um dia sem dizer bobagens e fazer piadas – embora os amigos e colegas de trabalho às vezes achem que eu devia aliviar um pouco. Todo mundo pode dizer coisas sérias com humor, seriedade não é sinônimo de rabugice. E honestamente acho que fazer jornalismo com humor é uma boa forma de fazer com que mais pessoas ouçam/vejam. Entendo também que nem todo mundo tem meu senso de humor sórdido, para ser capaz de rir de qualquer coisa, inclusive de si mesmo.
O que eu não entendo é como chegamos ao ponto de dois repórteres do CQC terem sido agredidos fisicamente na mesma semana, enquanto trabalhavam em ambientes nos quais deveriam ser respeitados. Danilo Gentili foi derrubado por seguranças do Sarney em uma tentativa de entrevistar o senador (aqui). Felipe Andreoli foi agredido na porta do estádio do Internacional pouco antes da final da Copa do Brasil (aqui).
Eu sei que hoje à noite o pessoal do CQC fai fazer piada e levar de boa este tipo de coisa, como já deram a entender nas notícias. O que eu não sei é se é justo agredir aqueles que vivem de humor, porque eu creio que bom-humor é coisa muito séria. A não ser que todo mundo resolva virar um bando de bobo pau no cu que só sabe rabugentar e disso eu passo a vez.
Eu considero humor o ingrediente mais básico da vida, não consigo imaginar passar sequer um dia sem dizer bobagens e fazer piadas – embora os amigos e colegas de trabalho às vezes achem que eu devia aliviar um pouco. Todo mundo pode dizer coisas sérias com humor, seriedade não é sinônimo de rabugice. E honestamente acho que fazer jornalismo com humor é uma boa forma de fazer com que mais pessoas ouçam/vejam. Entendo também que nem todo mundo tem meu senso de humor sórdido, para ser capaz de rir de qualquer coisa, inclusive de si mesmo.
O que eu não entendo é como chegamos ao ponto de dois repórteres do CQC terem sido agredidos fisicamente na mesma semana, enquanto trabalhavam em ambientes nos quais deveriam ser respeitados. Danilo Gentili foi derrubado por seguranças do Sarney em uma tentativa de entrevistar o senador (aqui). Felipe Andreoli foi agredido na porta do estádio do Internacional pouco antes da final da Copa do Brasil (aqui).
Eu sei que hoje à noite o pessoal do CQC fai fazer piada e levar de boa este tipo de coisa, como já deram a entender nas notícias. O que eu não sei é se é justo agredir aqueles que vivem de humor, porque eu creio que bom-humor é coisa muito séria. A não ser que todo mundo resolva virar um bando de bobo pau no cu que só sabe rabugentar e disso eu passo a vez.
26.6.09
Espremeu, sai sangue
Todo canto do Brasil tem um jornal na linha editorial espremeu-sai-sangue. São Paulo tem o Agora, Rio de Janeiro tem O Dia, Santa Catarina tem o Diarinho e o Paraná... Bom, o Paraná tem a Tribuna, um jornal maravilhoso que ontem estampou a seguinte capa:
E aí a gente fica pensando o tanto que não se deprime a esta altura da vida aquele pobre coitado do Sérgio Malandro, que por pior que seja como músico (e como apresentador, como cantor, como ator...), ao menos teve sua época de glória, curtiu uma fase ótima de ficar só no glu-glu. E ele trabalhava com crianças meu deus, com crianças!!! Agora vem um jornal debochar de um trabalho tão sério...
Em tempo: não, de jeito nenhum eu vou me dar ao trabalho de fazer um post fofo sobre a morte do Michael Jackson quando existe por aí uma mídia maldosa debochando do Sérgio Malandro. Porque por mais que eu ame o pop demais, ainda acho o brega-trash muito mais legal. Kitsch, na verdade.
E aí a gente fica pensando o tanto que não se deprime a esta altura da vida aquele pobre coitado do Sérgio Malandro, que por pior que seja como músico (e como apresentador, como cantor, como ator...), ao menos teve sua época de glória, curtiu uma fase ótima de ficar só no glu-glu. E ele trabalhava com crianças meu deus, com crianças!!! Agora vem um jornal debochar de um trabalho tão sério...
Em tempo: não, de jeito nenhum eu vou me dar ao trabalho de fazer um post fofo sobre a morte do Michael Jackson quando existe por aí uma mídia maldosa debochando do Sérgio Malandro. Porque por mais que eu ame o pop demais, ainda acho o brega-trash muito mais legal. Kitsch, na verdade.
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