Curitiba sediou no último final de semana o Fórum de Mídias Digitais e Sociais (FMDS), um evento realizado em dois dias, composto pelo Fórum propriamente dito - com suas palestras e debates pela manhã - e quatro eventos satélite na parte da tarde: SEOCamp, BLOGCamp, PODCamp e ETC_Curitiba. Por serem simultâneos, acabei tendo que escolher onde estaria. Abri mão do BLOGCamp porque eu já conheço um bom tanto e o PODCamp porque não curto muito. Estava fisicamente no SEOCamp e vendo/ouvindo o streaming do ETC_Curitiba.
No FMDS, achei a palestra de abertura com o Ney Queiroz um tanto fraca e eu não duvido que o palestrante venha comentar aqui o mesmo que me disse via twitter: que a plateia era muito heterogênea. Como eu disse no twitter, acho que o cara subestimou a plateia e percebi que boa parte do conteúdo veio do Fórum de Marketing realizado duas semanas antes. Afora isso, todas as outras foram de conteúdo excelente, babei em alguns cases apresentados e os debates foram ótimos!
O SEOCamp, sobre Search Engine Optimization, foi o primeiro realizado no Brasil e me deparei com tantas ferramentas que chega a ser incômodo estar tão perto desta área e ainda ter conhecimentos tão rasos. Para quem quer virar pro-blogger, há um longo caminho a percorrer, mas aqueles que se propõe a fazer isso no meio comporativo estão com a vida bem mais fácil. Não tenho palavras para descrever a qualidade do evento.
Por fim o ETC_Curitiba, Encontro de Twitteiros Culturais de Curitiba. Aí foi que complicou. Porque caí de amores pelo twitter e o debate sobre mídia social no trabalho foi excepcional. Por sinal, Maria Rafart é tão bacana ao vivo quanto pelo rádio. E devo dizer que foi a programação mais organizada, além do que, a Fernanda Musardo é uma flor.
Depois eu faço o post social sobre este evento, que por sinal foi a melhor parte!
15.12.09
10.12.09
Fórum de Marketing UP
Foi no dia 30 de novembro. Já faz um tempinho, eu sei, mas tempo é uma questão de prioridade e eu não vivo disso, então o blog não tem tanta prioridade. Mas vamos ao Fórum de Marketing. Palestrantes internacionais e altamente reconhecidos: Rudolph Giuliani, António Câmara e Miguel Remédio (da portuguesa Ydreams) e Simon Clift (bigboss do marketing mundial da Unilever); além dos brasileiros Guilherme Cunha Pereira (VP executivo da RPC) e Fernando Henrique Cardoso.
A maior lição que fica do evento é a coerência do tema das palestras: todos falaram de liderança, direcionada ao papel de cada um, não como conceito de chefes ou grandes empresas, mas da diferença que podemos fazer estando sempre um passo à frente. Nas palavras do Rudolph Giuliani, a boa liderança é resultado de cinco atividades: ler (se inforrmar), prestar atenção (nas notícias e nas pessoas), escrever (para propagar o que sabemos), debater (trocar ideias) e pensar (muito e com cuidado). E se você é ou quer ser um líder, nunca seja pessimista. As pessoas seguem quem traz soluções, não problemas. Nas palavras do Fernando Henrique Cardoso, ser um líder, diz respeito a ter pulso forte e a tomar as decisões necessárias e convencê-las de que está certo. A credibilidade, a confiança das pessoas são frutos da liderança.
Confesso que fiquei decepcionada com a palestra do Guilherme Cunha Pereira e com os caras da YDreams, eu esperava muito mais. Os portugueses se restringiram a mostrar umas gracinhas tecnológicas que o Youtube já propagou faz tempo e o Guilherme se propôs a defender as mídias tradicionais - ainda assim sem muito empenho. Foi um daqueles eventos que a gente vai, mas dói no bolso por acrescentar quase nada a esta mera assistente de marketing.
A maior lição que fica do evento é a coerência do tema das palestras: todos falaram de liderança, direcionada ao papel de cada um, não como conceito de chefes ou grandes empresas, mas da diferença que podemos fazer estando sempre um passo à frente. Nas palavras do Rudolph Giuliani, a boa liderança é resultado de cinco atividades: ler (se inforrmar), prestar atenção (nas notícias e nas pessoas), escrever (para propagar o que sabemos), debater (trocar ideias) e pensar (muito e com cuidado). E se você é ou quer ser um líder, nunca seja pessimista. As pessoas seguem quem traz soluções, não problemas. Nas palavras do Fernando Henrique Cardoso, ser um líder, diz respeito a ter pulso forte e a tomar as decisões necessárias e convencê-las de que está certo. A credibilidade, a confiança das pessoas são frutos da liderança.
Confesso que fiquei decepcionada com a palestra do Guilherme Cunha Pereira e com os caras da YDreams, eu esperava muito mais. Os portugueses se restringiram a mostrar umas gracinhas tecnológicas que o Youtube já propagou faz tempo e o Guilherme se propôs a defender as mídias tradicionais - ainda assim sem muito empenho. Foi um daqueles eventos que a gente vai, mas dói no bolso por acrescentar quase nada a esta mera assistente de marketing.
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23.11.09
Eu, meu cigarro e a lei antifumo
Eu já tinha falado minha opinião sobre a lei antifumo aqui, na época da aprovação em São Paulo, mas como todas as coisas mais cedo ou mais tarde chegam a Curitiba, cá estamos nós com a lei a limitar meu vício. Entrou em vigor de fato na quarta-feira passada.
Fomos pro Mondo Birre, um típico barzinho curitibano, que mais parece com a definição que o carioca tem de lounge, diga-se de passagem. Quando escolhi a casa estava contando que ainda tivessem uma área aberta, mas colocaram um teto abre-fecha (sei lá o nome oficial dessa porra). Diante dessa informação, um casal atrás de nós na fila resolveu ir embora, como eu já tinha previsto.
Solução que a casa permite: você paga a sua conta, fuma um cigarro, volta e fica feliz porque não precisa pagar a entrada de novo. Pagar a conta a cada cigarro, além de não poder sair com nenhuma bebida é legal, né? Eu achei superprático, não volto lá nem a pau.
Na volta pra casa, dei uma analisada nos prós: meu cabelo não estava podre de fedorento, minhas roupas não fediam a churrasqueira, eu fumei precisamente cinco cigarros até voltar pra casa - bolso e pulmão agradecem.
Várias coisas aconteceram na noite: a banda estava uma merda, os amigos desanimados, o lugar meio tedioso; a balada não foi boa. Se eu estivesse mais animada, teria ficado muito puta com a restrição, se tivesse pago a conta quatro vezes (correndo o risco do banco bloquear meu cartão), se tivesse fila para entrar novamente.
Pode ser uma boa tentativa do governo de inibir o fumo, mas de minha parte vai demorar pra caralho para comprar a ideia. Por enquanto, nenhuma casa noturna sem espaço aberto para fumantes terá minha presença. Só eu não sou importante, mas os fumantes ainda são numerosos e certemente há lugar para nós todos nos botecos e baladinhas de rock. Não pensar nos nossos interesses de consumo é estupidez de marketing.
Fomos pro Mondo Birre, um típico barzinho curitibano, que mais parece com a definição que o carioca tem de lounge, diga-se de passagem. Quando escolhi a casa estava contando que ainda tivessem uma área aberta, mas colocaram um teto abre-fecha (sei lá o nome oficial dessa porra). Diante dessa informação, um casal atrás de nós na fila resolveu ir embora, como eu já tinha previsto.
Solução que a casa permite: você paga a sua conta, fuma um cigarro, volta e fica feliz porque não precisa pagar a entrada de novo. Pagar a conta a cada cigarro, além de não poder sair com nenhuma bebida é legal, né? Eu achei superprático, não volto lá nem a pau.
Na volta pra casa, dei uma analisada nos prós: meu cabelo não estava podre de fedorento, minhas roupas não fediam a churrasqueira, eu fumei precisamente cinco cigarros até voltar pra casa - bolso e pulmão agradecem.
Várias coisas aconteceram na noite: a banda estava uma merda, os amigos desanimados, o lugar meio tedioso; a balada não foi boa. Se eu estivesse mais animada, teria ficado muito puta com a restrição, se tivesse pago a conta quatro vezes (correndo o risco do banco bloquear meu cartão), se tivesse fila para entrar novamente.
Pode ser uma boa tentativa do governo de inibir o fumo, mas de minha parte vai demorar pra caralho para comprar a ideia. Por enquanto, nenhuma casa noturna sem espaço aberto para fumantes terá minha presença. Só eu não sou importante, mas os fumantes ainda são numerosos e certemente há lugar para nós todos nos botecos e baladinhas de rock. Não pensar nos nossos interesses de consumo é estupidez de marketing.
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13.11.09
Manifesto pelo direito de não comentar
Entre as muitas "linhas editoriais" de blog, me interesso pouquíssimo pelos diarinhos e minha favorita é a que eu escrevo - acabo definindo como um blog reativo. Considero que o melhor recurso da blogosfera é deixar que qualquer um seja um pequeno Arnaldo Jabor, mesmo que muitos sejam meros agitadores de mesa de bar - como eu. Peço licença aos blogueiros ficcionais que matam a pau quando colocam seu teclado à serviço da imaginação, ficção é uma categoria à parte. Um tesão de categoria, diga-se de passagem, mas muito mais sujeita ao gusto do leitor.
Para ser reativo, é preciso estar informado. É fácil colar no blog um vídeo pronto, é fácil contar uma historinha de trabalho ou debochar de uma notícia, é fácil publicar piadas recebidas por e-mail. Fácil pra caralho. Foda é produzir conteúdo, colocar a sua opinião, baseada em pelo menos três fontes de informação. Exige tempo e dedicação. É preciso entender a relevância de cada assunto antes de escrever e ainda assim reavaliar antes de publicar.
Por outro lado, blog é um negócio totalmente pessoal, o blogueiro define relevância. E é aí que mora o problema. Eu defino o que eu quero escrever aqui, eu escolho o assunto e o tom do comentário. Só que socialmente, tem uma galera disposta a julgar. E a minha opinião sobre um monte de assuntos é controversa, por isso em diversos momentos eu decido não opinar.
Eu exijo meu direito de não falar do caso da UNIBAN, apesar de achar que o vídeo do Cardoso matou a pau. Eu exijo meu direito de me calar sobre o novo apagão, por preguiça de falar mal do Lula e ter que aturar os defensores do nosso medíocre presidente. Eu exijo meu direito de não falar do novo orkut, porque já tenho e não achei grandescoisa. Eu exijo meu direito de não ter que explicar minhas piadas de mau gosto, por pior que elas sejam. Eu exijo meu direito de ser uma blogueira livre da polícia moral. Eu exijo meu direito de escrever palavrões no meu blog. Eu exijo meu direito de ser quem eu sou sem ter que ficar avisando.
Eu só exijo tudo isso porque acabo vendo um monte de gente na web querendo a democracia, a popularidade, o politicamente correto. E como eu aviso ali ao lado, este blog é uma ditadura, em que valorizo meus poucos leitores e escrevo minha opinião, seja ela qual for, quando me dá vontade. Não existe pauta obrigatória, minha linha editorial é totalmente anarquista, mesmo que minha visão política seja de direita.
Para ser reativo, é preciso estar informado. É fácil colar no blog um vídeo pronto, é fácil contar uma historinha de trabalho ou debochar de uma notícia, é fácil publicar piadas recebidas por e-mail. Fácil pra caralho. Foda é produzir conteúdo, colocar a sua opinião, baseada em pelo menos três fontes de informação. Exige tempo e dedicação. É preciso entender a relevância de cada assunto antes de escrever e ainda assim reavaliar antes de publicar.
Por outro lado, blog é um negócio totalmente pessoal, o blogueiro define relevância. E é aí que mora o problema. Eu defino o que eu quero escrever aqui, eu escolho o assunto e o tom do comentário. Só que socialmente, tem uma galera disposta a julgar. E a minha opinião sobre um monte de assuntos é controversa, por isso em diversos momentos eu decido não opinar.
Eu exijo meu direito de não falar do caso da UNIBAN, apesar de achar que o vídeo do Cardoso matou a pau. Eu exijo meu direito de me calar sobre o novo apagão, por preguiça de falar mal do Lula e ter que aturar os defensores do nosso medíocre presidente. Eu exijo meu direito de não falar do novo orkut, porque já tenho e não achei grandescoisa. Eu exijo meu direito de não ter que explicar minhas piadas de mau gosto, por pior que elas sejam. Eu exijo meu direito de ser uma blogueira livre da polícia moral. Eu exijo meu direito de escrever palavrões no meu blog. Eu exijo meu direito de ser quem eu sou sem ter que ficar avisando.
Eu só exijo tudo isso porque acabo vendo um monte de gente na web querendo a democracia, a popularidade, o politicamente correto. E como eu aviso ali ao lado, este blog é uma ditadura, em que valorizo meus poucos leitores e escrevo minha opinião, seja ela qual for, quando me dá vontade. Não existe pauta obrigatória, minha linha editorial é totalmente anarquista, mesmo que minha visão política seja de direita.
11.11.09
Síndrome de Colégio
Trabalhei algumas semanas na organização de um evento de segurança do trabalho, com profissionais qualificados na plateia e palestrante internacional. Poucos minutos antes de começar, já com a sala cheia, reparei na síndrome de colégio que as pessoas carregam pela vida inteira. Cada mesa do evento tinha três lugares, lado a lado, e nós dispusemos os materiais em quase todas, deixando as últimas para nossa equipe. O público foi chegando e escolhendo os lugares: primeiro os do fundo, nas laterais - o mais longe possível do palestrante. Quase todos os lugares estavam ocupados, exceto os mais próximos. Um retardatário chegou, olhou os lugares disponíveis, pensou um pouco, girou nos calcanhares e saiu, ficou se enrolando até o início do evento. Aí sim desistiu e sentou na primeira fila.
Uma sala de eventos em um hotel de alto-padrão cheia de adultos que foram ouvir algo de seu interesse, eles mesmos se inscreveram e ainda assim os meninos não superam o hábito de evitar o "professor". Ainda tem mais: as mulheres, apenar três, sentaram juntas. Não se conheciam, nunca se viram na vida, mas automaticamente se sentaram lado a lado, nos locais mais próximos do palestrante.
Dá para fazer um verdadeiro livro sobre comportamento social com essas informações. Por razões incompreensíveis, as pessoas se esquivam de quem tem algo a ensinar, mesmo que seja do próprio interesse aprender. Um medo bizarro de falar em público e, quando falam, geralmente se fazem ouvir somente até a segunda fila, às vezes o palestrante quem que pedir para repetir! Sempre me pergunto: qual será o trauma que as pessoas carregam para nunca estarem interessadas em levantar a mão e fazer uma pergunta, contar uma história ou fazer um comentário sobre o assunto? Só pode ser síndrome de colégio...
Uma sala de eventos em um hotel de alto-padrão cheia de adultos que foram ouvir algo de seu interesse, eles mesmos se inscreveram e ainda assim os meninos não superam o hábito de evitar o "professor". Ainda tem mais: as mulheres, apenar três, sentaram juntas. Não se conheciam, nunca se viram na vida, mas automaticamente se sentaram lado a lado, nos locais mais próximos do palestrante.
Dá para fazer um verdadeiro livro sobre comportamento social com essas informações. Por razões incompreensíveis, as pessoas se esquivam de quem tem algo a ensinar, mesmo que seja do próprio interesse aprender. Um medo bizarro de falar em público e, quando falam, geralmente se fazem ouvir somente até a segunda fila, às vezes o palestrante quem que pedir para repetir! Sempre me pergunto: qual será o trauma que as pessoas carregam para nunca estarem interessadas em levantar a mão e fazer uma pergunta, contar uma história ou fazer um comentário sobre o assunto? Só pode ser síndrome de colégio...
7.11.09
Multidisciplinar e multifuncional
Virou moda há alguns anos esse papo de multi. As empresas querem profissionais que desempenhem diversas funções - afinal porque contratar duas pessoas capacitadas para trabalhar com qualidade excepcional se você pode contratar uma pessoa que se vire bem em várias áreas e viva sobrecarregado? No meio acadêmico não é muito diferente: quer ver um professor feliz, é só mencionar o termo multidisciplinar. A questão é que para saber um pouco de cada coisa, abrimos mão de dominar certo assunto ou ferramente e várias profissões acabam descaracterizadas, principalmente as mais novas.
Junte um analista de sistemas com um desenvolvedor de software, mais um programador web e pergunte quantas vezes eles tiveram que arrumar o dvd e o relógio do microondas, só porque mexem com o computador. O mesmo acontece com os profissionais da minha área, ninguém faz a menor ideia qual é a diferença entre o profissional de marketing, o publicitário e o designer.
O cara do marketing tem suas limitações, não é um profissional de execução: não cria logomarca, comercial de tv nem faz banner em flash pra site. Ou pelo menos não deveria, não tem base pra isso. Publicitários também não tem que se meter a desenhar embalagem. E os designers não entendem de planejamento de marketing ou de redação publicitária. Goste ou não, designer é desenhista e fim de papo.
Aí me vem a revista técnica mencionar o quanto desgners são especialistas em criar experiências de consumo. Uau, peraí, ação de marketing agora é especialidade de designer? Planejamento e execução? Em uma frase, conseguiram desrespeitar especialistas em marketing, publicidade e relações públicas - deve ser algum tipo de recorde! Na prática, esse tipo de lógica só complica a vida dos profissionais. Talvez fosse melhor cada macaco no seu galho, ninguém brigaria por causa de banana...
p.s.: segunda matéria lida na abcDesign, segundo post. Até acabar de ler, acho que vou redigir um manifesto!
Junte um analista de sistemas com um desenvolvedor de software, mais um programador web e pergunte quantas vezes eles tiveram que arrumar o dvd e o relógio do microondas, só porque mexem com o computador. O mesmo acontece com os profissionais da minha área, ninguém faz a menor ideia qual é a diferença entre o profissional de marketing, o publicitário e o designer.
O cara do marketing tem suas limitações, não é um profissional de execução: não cria logomarca, comercial de tv nem faz banner em flash pra site. Ou pelo menos não deveria, não tem base pra isso. Publicitários também não tem que se meter a desenhar embalagem. E os designers não entendem de planejamento de marketing ou de redação publicitária. Goste ou não, designer é desenhista e fim de papo.
Aí me vem a revista técnica mencionar o quanto desgners são especialistas em criar experiências de consumo. Uau, peraí, ação de marketing agora é especialidade de designer? Planejamento e execução? Em uma frase, conseguiram desrespeitar especialistas em marketing, publicidade e relações públicas - deve ser algum tipo de recorde! Na prática, esse tipo de lógica só complica a vida dos profissionais. Talvez fosse melhor cada macaco no seu galho, ninguém brigaria por causa de banana...
p.s.: segunda matéria lida na abcDesign, segundo post. Até acabar de ler, acho que vou redigir um manifesto!
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5.11.09
Abelhas operárias do Design
Estava lendo uma entrevista do Steven Heller na abcDesign quando uma frase me fisgou. Respondendo uma pergunta sobre as escolas americanas de design, ele disse que a maioria ainda está engajada em produzir uma abelha operária que funcione. Fiquei com os dedos coçando pra escrever na hora. Consigo ver várias formas de entender essa frase, bora passear por dentro da metáfora do homem.
A abelha operária domina seu trabalho: conhece as ferramentas, a metodologia, os resultados esperados e cumpre tudo rigorosamente. Se aumentar a demanda, a abelhinha faz um monte de hora extra (se quiser testas, aproveita o calor e deixa um picolé de uva em cima da mesa pra você ver) e nem reclama por salário maior ou banco de horas. Uma abelha operária é, do ponto de vista corporativo, a funcionária perfeita. Por outro lado, uma abelha operária não inventa nada realmente novo, não otimiza seu trabalho, não pensa em soluções maiores que facilitariam o trabalho de todos, simplesmente não pensa. E assim se caracteriza o comportamento medíocre do profissional, que jamais será grande nem sequer fará a empresa maior, mas atende as necessidades corporativas.
A questão é que hoje em dia quase ninguém tem espírito empreendedor. Não se faz mais faculdade para abrir um negócio, se faz para conseguir um bom emprego, pagar as contas e passar os próximos vinte anos trabalhando para os outros, para aí quem sabe começar a pensar em algo seu. Eu não creio que alguma abelha operária vá reinventar a caixa do Lucky Strike, por mais que seja capaz - com todo respeito ao Raymond Loewy. E depois desse raciocínio todo, eu me pergunto se a frase do Steven Heller foi um elogio ou uma crítica. Não consegui decidir.
Em tempo: não tenho nada contra abelhas operárias, eu mesma sou uma abelha feliz. Acho que empreender um negócio próprio é coisa de quem tem perfil e vontade. Começar uma empresa na garagem é assunto extremamente pessoal, não é uma formação acadêmica que vai ensinar isso.
A abelha operária domina seu trabalho: conhece as ferramentas, a metodologia, os resultados esperados e cumpre tudo rigorosamente. Se aumentar a demanda, a abelhinha faz um monte de hora extra (se quiser testas, aproveita o calor e deixa um picolé de uva em cima da mesa pra você ver) e nem reclama por salário maior ou banco de horas. Uma abelha operária é, do ponto de vista corporativo, a funcionária perfeita. Por outro lado, uma abelha operária não inventa nada realmente novo, não otimiza seu trabalho, não pensa em soluções maiores que facilitariam o trabalho de todos, simplesmente não pensa. E assim se caracteriza o comportamento medíocre do profissional, que jamais será grande nem sequer fará a empresa maior, mas atende as necessidades corporativas.
A questão é que hoje em dia quase ninguém tem espírito empreendedor. Não se faz mais faculdade para abrir um negócio, se faz para conseguir um bom emprego, pagar as contas e passar os próximos vinte anos trabalhando para os outros, para aí quem sabe começar a pensar em algo seu. Eu não creio que alguma abelha operária vá reinventar a caixa do Lucky Strike, por mais que seja capaz - com todo respeito ao Raymond Loewy. E depois desse raciocínio todo, eu me pergunto se a frase do Steven Heller foi um elogio ou uma crítica. Não consegui decidir.
Em tempo: não tenho nada contra abelhas operárias, eu mesma sou uma abelha feliz. Acho que empreender um negócio próprio é coisa de quem tem perfil e vontade. Começar uma empresa na garagem é assunto extremamente pessoal, não é uma formação acadêmica que vai ensinar isso.
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4.11.09
O blog pode ou não pode?
Estava em uma entrevista ontem, justamente para trabalhar com mídias sociais e é óbvio que pediram o link do blog. A pergunta sobre conteúdo desta casa que tanto amo me balançou. A verdade é que eu não sei definir a que este blog se propõe, nunca olhei para ele como um negócio. Quem sabe um dia possa ser, mas nunca foi esse o foco.
Fiz um blog porque me é inerente opinar sobre tudo que eu vejo, seja assunto relevante ou não. O blog foi crescendo e criando uma identidade textual totalmente natural, não modelei nada. Nos enormes arquivos construídos ao longo de sete anos, há muitas histórias contadas. Algumas ideias antigas agora me parecem tão tolas e tantas outras deveriam ter ficado na gaveta.
Isso não tinha me ocorrido - o impacto de fornecer o link - mas o fato é que não tenho coragem nem razões para apagar algo que escrevi. Esses sete anos são parte importante do que eu vivi, não dá pra fingir que não aconteceu, passar uma borracha. Se posso dizer que conheço as mídias sociais, não é só porque eu leio blogs. É porque eu existo na web.
Só que ao chegar em casa eu me perguntei: blog pode ou não pode fazer parte? Não tenho razões para mentir em um processo seletivo, não tenho razões para mentir at all. Mesmo assim é meio inevitável perguntar mentalmente se um entrevistador quer a verdade inteira ou se meia hipocrisia lhe basta...
Fiz um blog porque me é inerente opinar sobre tudo que eu vejo, seja assunto relevante ou não. O blog foi crescendo e criando uma identidade textual totalmente natural, não modelei nada. Nos enormes arquivos construídos ao longo de sete anos, há muitas histórias contadas. Algumas ideias antigas agora me parecem tão tolas e tantas outras deveriam ter ficado na gaveta.
Isso não tinha me ocorrido - o impacto de fornecer o link - mas o fato é que não tenho coragem nem razões para apagar algo que escrevi. Esses sete anos são parte importante do que eu vivi, não dá pra fingir que não aconteceu, passar uma borracha. Se posso dizer que conheço as mídias sociais, não é só porque eu leio blogs. É porque eu existo na web.
Só que ao chegar em casa eu me perguntei: blog pode ou não pode fazer parte? Não tenho razões para mentir em um processo seletivo, não tenho razões para mentir at all. Mesmo assim é meio inevitável perguntar mentalmente se um entrevistador quer a verdade inteira ou se meia hipocrisia lhe basta...
2.11.09
Cada coisa no seu lugar
Estava andando por aí de blog em blog, saltitando entre links enviados via twitter e esbarrei em algum artigo desses papos de dinossauro (como eu) e suas análises de internet. Pelo meio de tudo, o post falava de como o pessoal que entrou há muito tempo na internet fica indignado com os novos desinformados na web.
Aí caiu a ficha: eu sou meio 1.0 e por isso reluto em aderir a certas tecnologias, porque muita coisa semi-pronta pra mim fica com gosto de comida de microondas: eu até encaro, mas não gosto não.
Mais do que isso: acho que a internet devia ter degrau de evolução, algum mecanismo que separasse os novatos dos veteranos e deixasse os novatos usando a internet 1.0 até que aprendam, entendam, façam uma prova e aí sim possam utilizar os recursos da web 2.0.
Pronto, meu projeto revolucionário vai fazer milagres culturais. E o melhor: ninguém se estressa com ninguém. Bora segmentar a internet, pronto. Não é novidade nenhuma um mundo divididos em castas. A web também merece isso. Pelo menos, os usuários merecem...
Aí caiu a ficha: eu sou meio 1.0 e por isso reluto em aderir a certas tecnologias, porque muita coisa semi-pronta pra mim fica com gosto de comida de microondas: eu até encaro, mas não gosto não.
Mais do que isso: acho que a internet devia ter degrau de evolução, algum mecanismo que separasse os novatos dos veteranos e deixasse os novatos usando a internet 1.0 até que aprendam, entendam, façam uma prova e aí sim possam utilizar os recursos da web 2.0.
Pronto, meu projeto revolucionário vai fazer milagres culturais. E o melhor: ninguém se estressa com ninguém. Bora segmentar a internet, pronto. Não é novidade nenhuma um mundo divididos em castas. A web também merece isso. Pelo menos, os usuários merecem...
29.10.09
Um olhar sobre o twitter
Um grande amigo passou seis meses papagaiando que eu deveria entrar no twitter, que é a minha cara, que minhas piadas ácidas do cotidiano cabem muito bem ali e coisas do gênero. De fato, o argumento que me convenceu foi simples: "cria sua conta no twitter pelo menos para garantir o login". Não creio em outra Lomyne, mas bateu aquele panicozinho básico.
Escolhi o primeiro lote de pessoas a seguir entre blogueiros queleio tento ler e respeito, mesmo que não costume comentar nestes blogs. Adicionei os três mil convites que já tinha e o resto eu fui catando em citações via twitter. Leio muita gente de quem sou totalmente distante, popstars que ignoram minha existência e ainda assim muito me divertem. Gente como o Cardoso, a Poalli e o Jovemnerd, são celebridades da web e eu caí mais ainda de amores por eles. O restante eu fui adicionando por recomendações dos primeiros. Assim eu fui me enredando até chegar às conclusões que seguem:
Apesar de tudo isso, o twitter é um prazer. Adiciono e removo pessoas com grande facilidade, risadinhas me escapam do canto da boca no meio da tarde, mas a melhor parte é que não me sinto mais tão desinformada. Os segundinhos que dedico ao twitter me colocaram de novo na rota das notícias, dos links úteis e das informações mais inúteis. E assim vamos, enquanto eu tiver tempo e paciência.
Escolhi o primeiro lote de pessoas a seguir entre blogueiros que
1. Tem pessoas no twitter que eu considero offline. Veja, se você entra na internet pra usar orkut e msn, você não está online, ainda mais se você usa só para falar com as pessoas que você tem o telefone, o endereço e ainda mora na mesma cidade. Alo-ou você não tá produzindo bosta nenhuma! Acho que podemos separar twitteiros em ativos e passivos - eu ignoro os passivos.Aí você soma tudo isso e percebe que a maioria ali não entende ironia, não aceita humor negro e não sabe usar vírgula nem crase. De fato, o único defeito que eu acho no twitter é uma galera discutindo política. Sério, é impossível discutir política em 140 caracteres! Assim surgiu minha frase supra-sumo de twitter: politica no twitter faz tanto sentido quanto um gato rosa andando de patinete chupando sorvete de caqui. E por isso eu ignoro a maioria desses tweets.
2. Antes de entrar, eu via o passarinho como um msn em atacado, agora eu vejo mais como um mix de orkut e blog, onde você tem um espaço menor pra escrever e chances maiores de encontrar imbecis. Em algum link que eu peguei no twitter - e perdi no limbo - alguém disse coisas muito certas: primeiro, que o twitter não vai substituir o blog, porque são coisas diferentes e podem ser simultâneas; segundo, que o twitter é o reflexo da internet e da sociedade brasileira: uma massa de incultos usando o meio como quer, escrevendo errado, sendo fútil e/ou desinformado. Fato, o Brasil é assim, o uso da internet no Brasil é assim, a blogosfera é assim, o twitter só podia ser assim.
3. Uma coisa que me surpreende no twitter é a polícia. Porra, tem mais polícia no twitter do que mulher no orkut. Polícia ortográfica, polícia moral, polícia política, polícia midiática. E mesmo sem levantar a bunda da frente do computador pra fazer treinamento do BOPE, nêgo se acha membro da Tropa de Elite. Confesso que muitas vezes me divirto com estes policiais se contradizendo e cometendo os erros que tanto criticam.
4. Existe uma intolerância latente também. Todo mundo com pressa e aí se originam confusões, buxixos e reações exageradas, quase sempre por falha do leitor na interpretação do texto. Juízes de dedo em riste que perdem a noção, batem forte demais e o que poderia ser um debate interessante vira um bate-boca entre um imbecil que não entendeu e um autor sem paciência pra explicar.
Apesar de tudo isso, o twitter é um prazer. Adiciono e removo pessoas com grande facilidade, risadinhas me escapam do canto da boca no meio da tarde, mas a melhor parte é que não me sinto mais tão desinformada. Os segundinhos que dedico ao twitter me colocaram de novo na rota das notícias, dos links úteis e das informações mais inúteis. E assim vamos, enquanto eu tiver tempo e paciência.
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